segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sick Cycle Carousel

- Não. - Ele disse, e a dor atravessou seu rosto. Ela prendeu o ar diante de um sentimento confuso. Doía demais vê-lo nesse estado, disso não tinha dúvida, mas por outro lado, saber que ele estava sofrendo por ela dava certa satisfação. Completamente egoísta, ela sabia, jamais admitiria isso em voz alta, mas ainda assim, gostava.
- Sinto muito. - Sua voz saia rouca e triste. Quase um sussurro. Os olhos ardiam tentando controlar as lágrimas. Não iria chorar, prometera a si mesma que seria forte. Uma promessa que não poderia cumprir jamais.
- Tem que haver outro jeito. - Ele caminhava e seus passos eram meros tropeços, arrastando o corpo esguio pela sala de carpetes claros. - Tem que haver.
- Acho que é um pouco tarde para você dizer isso. De novo. – E mais uma vez doía ver o único que realmente importava se despedaçando a sua frente. Mas ele sempre soube que um dia, ela se cansaria. – Isso tudo virou um circulo vicioso. Você faz, eu me chateio. Você pede desculpas e jura nunca mais vai fazer, eu te desculpo. No dia seguinte, você finge que eu nunca disse uma palavra e lá esta você fazendo exatamente o que eu implorei pra não fazer. – Apertou os lábios segurando o choro.
- Eu juro que não faço mais. Me desculpe... – Ela o cortou.
- Pare de dizer isso! – Gritou as palavras, deixando o choro invadir sua garganta. – Pare de se desculpas, não piore as coisas. Acabou.
- Não! – Foi à vez de ele gritar. – Eu te amo... Muito. – Sussurrou a ultima palavra, como se algo lhe roubasse a voz. Estava percebendo a gravidade da situação.
- Eu sei... Queria que fosse suficiente... – Ergueu o rosto olhando dentro de seus olhos e soube que esse fora o momento mais doloroso de sua vida. – E eu não sei mais viver sem você, mas vou ter que aprender.
Antes que pudesse desistir de tudo e se jogar em seus braços implorando que ele ignore o que passou, virou as costas saindo rápido pela porta, logo alcançando as escadas. Desceu alguns lances, sentindo o pulmão contraído demais. Parou na portaria respirando uma ou duas vezes. Não queria perder tempo com isso. Pôs-se a correr pela rua mal iluminada, pouco se importando com as expressões das pessoas que passavam por ela. Deveria estar um lixo, se sentia como um.
Adentrou sua velha porta, fechando-a e escorando-se contra a mesma. Deixou deslizar e chorar com toda a força. Sentia-se vazia, oca. Tremia contra os próprios braços, que seguravam os joelhos em um abraço solitário.
Era pior pensar que não era falta de amor, ou traição, ou qualquer outro motivo sério e que normalmente termina relacionamentos. O que os matou na verdade foi um pequeno detalhe, um deslize imperceptível se não repetido, mas um erro que cometido várias vezes se torna saturável. Infelizmente para ele, tinha se tornado insuportável para ela. Se talvez ele não tivesse ignorado todos os avisos que ela deu, toda vez que ela explicou que um dia sua paciência cessaria – e todo mundo sabia que ela não era exatamente paciente -.
Se ele ao menos tivesse ouvido... Pouparia toda dor e sofrimento. Eles eram um para o outro, mas essa era a hora de se tornarem estranhos. Eles não conseguiram fazer com que todo o amor que eles tinham fosse suficiente para ignorar todo o resto, e infelizmente, isso tinha feito da relação um círculo vicioso doentio, e ela sabia que tinha que descer para seu próprio bem.

I never thought I'd end up here
Never thought I'd be standing where I am
I guess I kind of thought it would be easier than this
I guess I was wrong
Now one more time
(...)
When will this end?
It goes on and on over and over and over again
Keep spinning around I know that it won't stop
Till I step down from this for good
(...)
So when will this end?
It goes on and on over and over and over again
Keep spinning around I know that it won't stop
Till I step down from this sick cycle carousel
This is a sick cycle carousel...
- Sick Cycle Carousel - Lifehouse


Não tentem expecular. Uma escritora não pode ser bipolar?

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