quarta-feira, 26 de maio de 2010

Ao som das ondas

O vento soprava forte fazendo um barulho alto, semelhante a zunidos, abafando o som de nossas vozes. A uma distancia considerável, jogávamos palavras um contra o outro, como se precisássemos nos machucar ainda fisicamente. Meus olhos encaravam os grandes olhos castanhos escuro à frente, e não gostavam do que viam, levando a todo meu corpo pequenos espasmos de dor, que corriam junto de meu sangue por minhas veias. Como nós tínhamos chegado a isso?

Ele usava somente uma calça jeans escura, deixando a mostra seu corpo bronzeado e bem definido. Apenas a barra da boxer branca sobre saía-se pela a peça. Um par de entradas dava harmonia ao seu abdômen, alargando-se aos poucos, devido suas costas. Seus cabelos estavam desarrumados como sempre, o que me lembrou uma cena de algumas horas atrás.

“Ele estava sentado a minha frente nos bancos altos do balcão da cozinha, sorrindo seu sorriso bobo de sempre. Juntei meus lábios no canto da boca e passei a mão por entre os fios negros desalinhados. Ele ergueu os olhos inutilmente tentando ver seu novo penteado. Sorri. Sutilmente ele estralou os dedos e os colocou em minha cintura. Meu sorriso se alargou. Ele estava morrendo de vontade de desarrumar novamente seus cabelos, mas sabia que se fizesse isso agora, eu voltaria a arrumá-lo em um falso moicano, e poderíamos ficar nisso a noite toda. E por mais que eu soubesse o quanto ele odiava isso, ele também sabia o quanto eu adorava. Logo, jamais me descontentaria. Esperaria que eu me distraísse para arrumar seus fios a seu gosto novamente.”

Quase tive vontade de sorrir com essas lembranças. Como nossa situação pode simplesmente ter mudado dessa forma? Diferente de antes, agora estávamos em uma competição inútil para ver quem conseguiria magoar mais o outro. Ele estava ganhando.

- Já chega. – Virei às costas no momento exato em que meus olhos transbordaram. Eu detestava chorar na frente dele. Detestava parecer frágil e tão dependente quanto só eu sabia que realmente era. Saí do quarto pisando firme, como se soubesse o que estava fazendo. Ilusão... Peguei os cigarros e o Zippo em cima da bancada antes de sair para a varanda. Parei a um passo de tocar á areia. Apoiei-me em um dos pilares de madeira que dava sustentação ao telhado e fitei o oceano. O som das ondas quebrando me trazia um pouco de paz. Fechei os olhos respirando fundo. O vento agora mais calmo batia levemente contra meu corpo, voando meus longos cabelos com ele.

Arrastei-me até uma grande cadeira de vime, que tinha lugar para duas pessoas, deixei-me cair no meio dela. Abracei os joelhos e suspirei, levando um cigarro aos lábios, acendendo-o em seguida. Deitei a cabeça no encosto pouco macio da cadeira, soprando a fumaça fazendo com que se misturasse com a brisa. Eu não precisava estar no quarto para saber como ele estava exatamente agora.

Sentado na ponta da cama, cotovelos apoiados nas coxas, o rosto afundado nas palmas das mãos juntas, enquanto os longos dedos mexiam-se involuntários. Ele pensava em mim. Pensava em nosso relacionamento tão único e diferente. Pensava em como me amava e como se sentia idiota por ter me magoado com suas palavras duras.

Eu sabia tudo isso, e ainda assim meu coração doía. Talvez eu pareça egoísta, mas era difícil, todas as vezes que brigávamos sem motivo. Toda aquela dor e sentimentos desperdiçados, toda aquela mágoa de novo e de novo... Eu tinha que tomar uma atitude.

Ouvi passos quase silenciosos. Fechei os olhos e logo senti seus braços quentes ao meu redor. Arrepios me percorreram fazendo meu coração bater mais forte. Deixe-me entorpecer por seu perfume, assim que senti seus lábios em meu pescoço.

- Me perdoe. – Sussurrou sua voz rouca. Ele sabia que era irresistível pra mim. Sempre foi. Suas mãos envolveram as minhas e eu abri os olhos contra vontade, enquanto ele brincava com os lábios em minha pele. Eu tive uma epifania, e tudo me pareceu tão claro quase beirando o ridículo.
Como isso poderia não ser certo? Há brigas, sim, mas há tanta paixão e amor, que nós não podemos ser errados. Não! É como se o encaixe de seus braços fosse feito perfeitamente para o meu corpo, ou seus lábios, tão certos nos meus (ou em qualquer outra parte do meu corpo). Errado seria se não houvesse sentimento em tão pouco tempo após a briga. Besteira minha não querer demonstrar o quanto sou dependente dele, pois ele diz isso em cada um de seus atos.

- Eu amo você. – Disse olhando em seus olhos, em resposta a sua pergunta. Nossos lábios se curvaram em um sorriso que completava o outro. Toda dor se dissipou, dando espaço ao calor que nós tínhamos. Logo sua mão segurava minha nuca e nossos lábios sedentos provavam um do outro. Entregamos-nos um ao outro de corpo e alma, mais uma vez, tendo mais uma certeza de que não éramos por acaso, mas pra sempre, ali, ao som das ondas.




Juliana Danielle Bianchi
25 de maio de 2010, 17:47.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Para Candice e Aline

"O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao bar.

(...)

E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz... "


Obrigada por cuidarem de mim, quando eu pensei que não tinha mais rumo.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Broken heart

He broke your heart
He took your soul
You're hurt inside
Because there's a hole
You need some time
To be alone
- Lenny Kravtiz (I'll be waitting)

Mais um fim de relacionamento. Mais um coração quebrado, mais lágrimas no travesseiro, mais buracos, mais dor, mais arrependimentos, mais sofrimento. E então eu pergunto: PRA QUE? Pra que mentir, fingir, sorrir, olhar. Pra que se é tudo falso? Sabe o que é pior? Eu sempre soube, e eu sempre disse, mas todo mundo dizia que eu estava errada, que eu era medrosa, que eu deveria sair e curtir. Que caralho de curtir o escambal. Quero que todo mundo que disse pra mim ir em frente tome no cu. Quero que se fodam e sintam o que eu estou sentindo. Eu sou mesmo vingativa. Sou extremista, egoísta, imediatista e mais um monte de 'ista'que você quiser acrescentar a lista.

E ninguém nessa merda vale a pena. Ninguém, nobody, nadie.

Acho que ainda vou passar uns dias querendo que o mundo exploda e que todo mundo va pra puta que pariu. Já que não da pra confiar em ninguém mesmo, morram.


In Pieces
Linkin Park

Telling me to go
But hands beg me to stay
Your lips say that you love
Your eyes say that you hate

There's truth in your lies
Doubt in your faith
What you build you lay to waste
There's truth in your lies
Doubt in your faith
All I've got's what you didn't take

So I
I won't be the one
Be the one to leave this
In pieces
And you
You will be alone
Alone with all your secrets
And regrets
Don't lie

You promise me the sky
Then toss me like a stone
You wrap me in your arms
And chill me to the bone

There's truth in your lies
Doubt in your faith
All I've got's what you didn't take

So I
I won't be the one
Be the one to leave this
In pieces
And you
You will be alone
Alone with all your secrets
And regrets
Don't lie

So I
I won't be the one
Be the one to leave this
In pieces
And you
You will be alone
Alone with all your secrets
And regrets
Don't lie


Incrivel como Linkin Park ainda é a melhor coisa na minha vida.